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“Olhar para o ensino híbrido como oportunidade para novas competências nas IES”, afirma Nivagara

“O ensino híbrido deve ser integrado como oportunidade para o desenvolvimento de novas competências docentes e de organização pedagógica das IES, para além de toda transformação e desenvolvimento que estas instituições devem ter em termos de infraestrutura e serviços digitais para uso no ensino, na investigação e na administração”, defende Daniel Nivagara, Ministro da Ciência, […]

“O ensino híbrido deve ser integrado como oportunidade para o desenvolvimento de novas competências docentes e de organização pedagógica das IES, para além de toda transformação e desenvolvimento que estas instituições devem ter em termos de infraestrutura e serviços digitais para uso no ensino, na investigação e na administração”, defende Daniel Nivagara, Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

Falando durante a aula Inaugural na Universidade São Tomás de Moçambique (USTM) 2021, Daniel Nivagara afirmou que com a suspensão das aulas presenciais em todos os subsistemas de ensino, as Instituições do Ensino Superior tiveram que recorrer apenas ao ensino à distância, o que fez com que estas instituições de ensino fizessem recurso às plataformas digitais para a continuidade do processo de ensino-aprendizagem.

Subordinado ao tema: o Ensino Superior em Moçambique no Contexto da Pandemia da COVID-19: Do Ensino Presencial ao Ensino Híbrido, o dirigente aponta o ensino híbrido em contexto da COVID 19, como uma oportunidade para a maximização das oportunidades de aprendizagem diante do reduzido tempo de contacto entre os docentes e estudantes nos campus universitários (aulas presenciais) e dando-se continuidade das aulas através das plataformas on-line (aulas virtuais).

“Esta modalidade de ensino não se trata apenas de aplicação de TIC (plataformas digitais) no ensino, mas também que o mesmo deve servir como base para a transformação pedagógica, particularmente em termos de metodologias de ensino-aprendizagem”, vincou.

Para o dirigente, o ensino híbrido tem condições para desenvolver ensino de qualidade, mas para o efeito é imprescindível o uso racional, eficiente e eficaz das plataformas digitais, bem como o uso destas plataformas que requerem uma melhor formação permanente dos docentes.

Por outro lado, esta formação deve contemplar ainda uma visão de inovação educacional, não apenas centrada nas TIC, mas no desenvolvimento de uma visão acertado sobre Ambientes Virtuais de aprendizagem focando na sua constituição, funcionamento e as responsabilidades de todos os actores envolvidos.

Uso de plataformas digitais

A retoma às aulas presenciais em Agosto de 2020, depois da paralisação destas em Março de 2020 por força da declaração da suspensão das aulas presenciais, o Conselho Nacional de Avaliação de Qualidade do Ensino Superior (CNAQ), como órgão implementador do Sistema Nacional de Avaliação da Qualidade de Ensino Superior (SINAQES), levou a cabo um inquérito com vista a conhecer as condições reais de ensino-aprendizagem.

Para a retoma as aulas a distância, os dados indicam que 186 unidades orgânicas da IES privilegiaram o uso do WhatsApp e Skype como recurso para o ensino híbrido, 152 Google Class Room, 125 o email, 105 a plataforma Zoom, 86 outras plataformas e, por último, 41 a plataforma Moddle.

Face a estes números, o ministério responsável pelo ensino superior desenvolveu, num período recorde de três meses em 2020, o Sistema de Identificação de Membros da Comunidade Académica e Cientifica Nacional (SIMECACIN).

“Foram cadastrados neste sistema 298.823 membros das comunidades académica e científica nacional em 2020 e 41.631 fizeram o auto-registo e passaram a beneficiar destes pacotes especiais oferecidos pelas operadoras de telefonia celular”, informou.

A iniciativa permitiu que os estudantes, docentes e os investigadores nacionais tivessem acesso aos serviços de comunicação no geral e aos de acesso à Internet em particular que concorreram para melhorar a capacidade de realização dos processos de ensino e aprendizagem usando plataformas digitais e os de trabalhos de investigação cientifica à distância.

Ainda na sua explanação, o ministro referiu que o Ministério, através do projecto da Rede de Instituições de Ensino Superior e de Investigação de Moçambique (MoRENet), tem estado a intensificar a utilização das plataformas electrónicas para apoiar os processos de ensino e aprendizagem em todas as instituições públicas e privadas do ensino superior e técnico profissional bem como para a realização de reuniões entre funcionários à distância.

Recordar que o ensino misto ou combinado em tradução livre, surgiu em meados dos anos 60 nos Estados Unidos. A chamada Terceira Revolução Industrial, ou Revolução Eletrônica, trouxe o início da produção massiva de computadores que logo foram incorporados a educação acadêmica.

O ensino consolidou-se a partir de 1970, ano em se inicia a aplicação do Ensino Assistido por Computador (EAC). A partir dos anos 1990, com as máquinas de computador e periféricos tornando-se mais acessíveis em relação ao custo, o ensino híbrido foi ganhando cada vez mais forma. Os primeiros a aderirem a nova ideia foram as instituições de Ensino Superior, em que o modelo a distância era mais consolidado.

O sucesso do modelo alastrou se agora para escolas de ensino básico, bem como para o resto do mundo. Com a pandemia de COVID 19, ouve se por quase todo o mundo o recurso à educação à distância ou hibrida como estratégia para a continuação dos processos educativos.